terça-feira, 13 de abril de 2010

Assaltos Publicitários

Eram 4 da manhã e enquanto eu rebolava na cama numa tentativa infrutífera de adormecer (como de costume) vieram-me à mente duas coisas.

Uma delas é a brilhante conclusão que vou documentar já de seguida. A outra era o quanto me apetecia um Big-Mac naquele momento.

Estava, portanto, a relembrar as inúmeras vezes em que fui abordado na rua por senhores que pretendiam aliviar-me o peso da carteira, ou seja, as vezes em que fui assaltado (umas 6 ou 7 apenas) e para meu espanto descobri algo que fazendo todo o sentido me deixou abismado.

Analisando todas essas vezes em que me palmaram descobri um denominador comum. Não era o local, não era a hora, era sim o boné que esses meliantes orgulhosamente expunham no topo das suas caixinhas de ar.

Não me lembro das caras, não me lembro dos farrapos que vestiam, mas o boné branco imaculado da Nike perfeitamente plantado ao milímetro na chanfradura ficou-me gravado na memória.

Eram demasiados casos para ser só coincidência ou uma moda entre quem encarreirava por essa vida de furto.

Reparei também curiosamente que o número de spots publicitários de milhões a que a Nike nos tinha habituado quase que desapareceram por completo.

Juntei 1 + 1 e deu 3.

É por demais evidente que a Nike enveredou por um novo tipo de publicidade: patrocínio de assaltantes.

Em vez de gastarem 50 Milhões a mostrar na televisão o CR9 a dar toques numa bola durante 20 segundos financiaram toda uma maralha de delinquentes gastando apenas o valor de uma palete (meia-palete vá) de bonés. Bonés esses que são fabricados por crianças asiáticas que ao que consta não têm seguro de saúde. E a única coisa que pedem em troca destes prevaricadores é que continuem a fazer o que sempre fizeram.

E funciona. Depois dos vários anos que passaram desde as minhas primeiras experiências como vitima de furto a imagem do símbolo preto sobre o fundo branco ainda continua presente na minha memória e sempre que vou comprar roupa dou por mim a dirigir-me em direcção aos produtos da Nike como que guiado por algum tipo de força sobrenatural. É o chamado poder da publicidade.

Ainda no outro dia estive a ver um documentário sobre marketing e disseram que os cartazes do continente com os preços escritos a vermelho em letra grande são considerados Marketing agressivo. Isto sim é Marketing agressivo.

Não se admirem se um dia forem a passear na rua muito descansados e do nada forem abordados por gunas envergando orgulhosamente indumentárias completas do Pingo Doce enquanto entoam aquele desprezível jingle.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Amigos Coloridos - A Mentira da Verdade

Ontem à noite, durante o meu tradicional momento de reflexão sobre as grandes questões da existência humana que realizo sempre antes de pregar olho, veio-me à mente um conceito de relacionamento humano que existe há uma série de anos e que nunca foi questionado. Até hoje.

Falo-vos pois dos "amigos coloridos" ou como se diz em inglês "fuck-buddies".

Digo-vos que tenho dificuldade em compreender este conceito. Não por eu ser retrogrado e limitado mas por este ter semelhanças óbvias com um outro tipo de relação inter-pessoal.

Atentemos na definição:

Amigos coloridos - são, por norma, duas pessoas de sexos opostos que se conhecem há algum tempo e que têm um bom relacionamento de amizade. O que distingue esta relação de uma normal boa amizade é o facto de os intervenientes partilharem entre si pormenores íntimos e incorrerem regularmente em actividades de natureza sexual.

Se isto é a definição de "Amigos-Coloridos" vamos então ver a definição de um outro termo:

Namorados - são, por norma, duas pessoas de sexos opostos que se conhecem há algum tempo e que têm um bom relacionamento de amizade. O que distingue esta relação de uma normal boa amizade é o facto de os intervenientes partilharem entre si pormenores íntimos e incorrerem regularmente em actividades de natureza sexual.

(Sim eu fiz copy&paste se é isso que estão a pensar...)

Como podem constatar, caríssimos leitores, as semelhanças são óbvias e inegáveis. No entanto existe uma, e uma só diferença que distingue estes dois conceitos e os torna diametralmente opostos. Essa diferença assenta no facto de numa relação de amizade colorida existir a liberdade para haver relacionamentos sexuais com outros parceiros enquanto um namoro pressupõe um relacionamento exclusivo e monogâmico.

Posso então concluir que os amigos coloridos são o 007 dos relacionamentos amorosos. Têm licença para encornar.

E isto era muito bonito e ficávamos todos esclarecidinhos não fosse o facto de existirem pessoas que tendo namorado(a) também têm simultaneamente um "amigo colorido". Conhecem casos assim? Pois eu conheço.

E perguntam vocês: "Mas isso é possível?"

E eu respondo: "É e não é."

No fundo é uma questão de definições.

É impossível dividir um bolo por 0 certo? Certo. Mas é possível dividir um bolo pelo George W. Bush não é? É. E ele é o quê? 0.

Como vêm acabei de dividir por 0 e obter um resultado possível. É tudo uma questão de definições.

Então o que acontece neste caso é que o suposto namorado(a) não passa de um 2º "amigo colorido" que é mantido na ignorância e que anda a ser enchifrado à força toda.

O que é então este elemento nesta relação?

Aos olhos dele(a) é o namorado.

Aos olhos do outro elemento da relação é mais um "amigo colorido".

Aos olhos da sociedade é um corno.

Como vêm é tudo uma questão de definições.

Confusos? ou esclarecidos?

Até à próxima.

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